
- por Atualiza TEA
Nos últimos dias, uma fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou polêmica ao associar o uso de Paracetamol durante a gravidez ao autismo.
Para esclarecer a questão, a Organização Mundial da Saúde (OMS) se pronunciou nesta quarta-feira (24): não existem evidências científicas conclusivas que liguem o uso de paracetamol durante a gravidez ao desenvolvimento do Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O que é o paracetamol e por que é usado na gravidez?
O paracetamol é um dos medicamentos mais prescritos no mundo para o alívio de dor e febre. Ele é considerado seguro para gestantes, justamente porque é uma alternativa ao ibuprofeno — que, diferentemente, não é recomendado durante a gravidez.
Quando usado corretamente e sob orientação médica, o paracetamol continua sendo a principal escolha para mulheres grávidas.
O que dizem os especialistas?
No podcast O Assunto, a jornalista Natuza Nery conversou com a farmacêutica Laura Marise, doutora em biociências e uma das criadoras do projeto de divulgação científica Nunca vi 1 cientista. Segundo ela, espalhar informações sem base científica pode gerar medo desnecessário e dificultar o acesso das pessoas a tratamentos seguros.
Já o médico Romulo Negrini, obstetra do Hospital Albert Einstein e vice-presidente da comissão de parto da Febrasgo, reforçou a orientação: o paracetamol é seguro para gestantes quando usado sob prescrição médica. Ele destacou ainda a importância de que cada mulher receba acompanhamento individualizado durante a gestação.
Autismo e desinformação
O crescimento no número de diagnósticos de autismo em todo o mundo está ligado principalmente a avanços na ciência, maior conscientização social e ampliação do acesso ao diagnóstico precoce — e não a medicamentos como o paracetamol.
É essencial entender que o autismo não tem uma causa única e que a ciência ainda busca compreender os múltiplos fatores genéticos e ambientais envolvidos.
Conclusão
O episódio mostra como declarações sem base científica podem gerar pânico desnecessário. Pais e mães merecem informações claras, seguras e baseadas em evidências.
O recado final é simples: não suspenda ou altere o uso de qualquer medicamento sem antes conversar com seu médico. A confiança na ciência e no acompanhamento profissional é o caminho mais seguro para cuidar da saúde da mãe e do bebê.